– VIA SACRA DOS JOVENS ENCENADA
Na tarde de Sexta-feira Santa, pelas 15 Horas ocorre a tradicional Via-Sacra dos Jovens pelas ruas da Vila de Loriga. A encenação organizada pelo grupo de jovens da Catequese, emociona os populares que acompanham as estações pelas principais ruas da Vila.
A apresentação feita pelos Jovens conta o martírio de Cristo nos últimos dias de vida, proporcionando aos fiéis um pouco da real história do sofrimento de Cristo.
A apresentação termina perto das 16 Horas com o sepultamento de Cristo. Um silêncio tremendo toma conta dos fiéis presentes no interior da Igreja.
Um a um, os fiéis retiram-se demonstrando o sentimento de compaixão pela crucificação e morte de Cristo.
– ADORAÇÃO DA CRUZ
Ao fim da Via-Sacra dos Jovens, tem início a celebração da Paixão e Adoração à Santa Cruz. A Igreja, onde os fiéis passam pela Cruz de Cristo para Beija-la e Adora-la, crendo que pela morte de Cristo na Cruz é que chegou a Salvação para todos nós.
Na tarde de Sexta-feira Santa, apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe trespassou o lado. São João, teólogo e cronista da paixão, leva-nos a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto.
Em todo o ano, existe somente um dia em que não se celebra a Santa Missa: a Sexta-Feira Santa. Ao invés da Missa temos uma celebração que se chama Funções da Sexta-feira da Paixão, que tem origem em uma tradição muito antiga da Igreja que já ocorria nos primeiros séculos, especialmente depois da inauguração da Basílica do Santo Sepulcro e do reencontro da Santa Cruz por parte de Santa Helena (ano 335 d.C.).
Esta celebração é dividida em três partes: a primeira, é a leitura da Sagrada Escritura e a oração universal feita por todas as pessoas de todos os tempos; a segunda, é a adoração da Santa Cruz e a terceira, é a Comunhão Eucarística, juntas formam o memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor. Memorial, não é apenas relembrar ou fazer memória dos factos, é realmente celebrar agora, buscando fazer presente, atual, tudo aquilo que Deus realizou em outros tempos. Mergulhamos no tempo para nos encontrarmos com a graça de Deus no momento que operou a salvação e, ao retornarmos deste mergulho, a trazemos em nós.
Os cristãos peregrinos dos primeiros séculos a Jerusalém descrevem-nos, através de seus diários que, em um certo momento desta celebração, a relíquia da Santa Cruz era exposta para adoração diante do Santo Sepulcro. Os cristãos, um a um, passavam diante dela reverenciando e beijando-a. Este momento é chamado de Adoração à Santa Cruz, que significa adorar a Jesus que foi pregado na cruz através do toque concreto que faziam naquele madeiro onde Jesus foi estendido e que foi banhado com seu sangue.
Em nosso mundo de hoje, falar da Adoração à Santa Cruz pode gerar confusão de significado, mas o que nós fazemos é venerar a Cruz e, enquanto a veneramos, temos nosso coração e nossa mente que ultrapassa aquele madeiro, ultrapassa o crucifixo, ultrapassa mesmo o local onde estamos, até encontrar-se com Nosso Senhor pregado naquela cruz, dando a vida para nos salvar. Quando beijamos a cruz, não a beijamos por si mesma, a beijamos como quem beija o próprio rosto de Jesus, é a gratidão por tudo que Nosso Senhor realizou através da cruz. O mesmo gesto o Senhor Padre realiza no início de cada Missa ao beijar o Altar. É um beijo que não para ali, é beijar a face de Jesus. Por isso, não se adora o objeto. O objeto é um símbolo, ao reverenciá-lo mergulhamos em seu significado mais profundo, o facto que foi através da Cruz que fomos salvos.
Nós cristãos temos a consciência que Jesus não é apenas um personagem da história ou alguém enclausurado no passado acessível através da história somente. “Jesus está vivo!” Era o que gritava Pedro na manhã de Pentecostes e esse era o primeiro anúncio da Igreja. Jesus está vivo e atuante em nosso meio, a morte não O prendeu. A alegria de sabermos que, para além da dolorosa e pesada cruz colocada sobre os ombros de Jesus, arrastada por Ele em Jerusalém, na qual foi crucificado, que se torna o símbolo de sua presença e do amor de Deus, existe Vida, existe Ressurreição. Nossa vida pode-se confundir com a cruz de Jesus em muitos momentos, mas diante dela temos a certeza que não estamos sós, que Jesus caminha connosco em nossa via-sacra pessoal e, para além da dor, existe a salvação.
Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida, como muitos se propõem, mas o Deus vivo e operante em nosso meio.
– PROCISSÃO DO ENTERRO DO SENHOR
Na Sexta-feira Santa à noite em Loriga, percorre pelas principais artérias da Vila a Procissão do Enterro do Senhor.
Organizada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e das Almas de Loriga, o cortejo decorre num ambiente pesado e solene, onde os fiéis acompanham o Senhor morto no caminho até ao sepulcro. Os fatos de carregado luto, as cores dominantes – o preto e o roxo – os paramentos utilizados envolvem quem participa e quem assiste.
Prossegue-se sempre debaixo da marcha da Banda Filarmónica. A procissão sai da Igreja Paroquial percorrendo as principais ruas de Loriga. Abrindo o cortejo vai a cruz com uma toalha branca, simbolizando onde Cristo foi descido. Destaca-se na escuridão da noite, o ruído da marcha tocada pela Banda de Loriga e o bater compassado das varas de alguns irmãos da Irmandade no chão, ao ritmo do andar vagaroso da procissão.
Segue-se o Santo Sudário – que representa a mortalha de Cristo, um pano de linho com a imagem de Cristo – acompanhado pelos anjinhos dos martírios do Senhor.
De seguida, surge o esquife com Jesus Morto envolto num lençol de linho preto sendo levado aos ombros por 4 carregadores da Irmandade. A este esquife, surge a imagem de São João Evangelista e de Maria Santíssima, acompanhados pela Banda e a multidão. Chegada a procissão novamente à igreja Paroquial, faz-se a tumulização do Senhor, onde os fiéis permanecem em silêncio em veneração da imagem do Senhor no sepulcro.